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PhD Entrevista :: Lídia Ganhito (SP)
A entrevista de hoje é para uma velha artista da PhD, Lídia Ganhito. Lídia está no projeto desde 2014 e agora em 2017 ela lança uma nova série de fotografias da série "20 Homenagens às Árvores e Cactos da Costa" com imagens completamente o oposto da sua primeira série aqui, "Unknown Tales". Chega de enrolação, leia a entrevista abaixo para conhecer melhor essa artista maravilinda <3
Para ler ouvindo: https://soundcloud.com/carmenlidhia

Lídia Ganhito: Eu sou mulher, paulistana, taurina, ciclista, designer, produtora cultural e artista visual. Como de tudo, menos milho; ainda não me reproduzi; respiro poluição, por que vivo em São Paulo - numa casinha amarela com mais três homens, dois gatos, um cachorro e várias plantas. Adoro fazer feira. Pratico dança e yoga. Não sei dirigir.
PhD: Você faz parte da PhD praticamente desde o início do projeto em 2014 (a PhD nasceu em 2013). Seu trabalho desde aquela época consistia nas fotografias de viagem pela Europa com um olhar muito peculiar e macro das cidades pelas quais você passou. E agora sua nova série "20 Homenagens às Árvores e Cactos da Costa" apresenta um recorte mais detalhado e intimista dos objetos de pesquisa, neste caso Cactus e Árvores do Chile. Como se deu essa mudança no olhar? E como foi pensado esse projeto de fotografia no Chile?

LG: Na época em que enviei meus primeiros trabalhos para a PhD, eu estava em um momento de mudança: em breve eu iria voltar para São Paulo depois de passar um ano estudando no Porto, em Portugal.  Este período fora de São Paulo, a cidade aonde nasci e cresci, foi um momento de alargamento de fronteiras - todos os meus referenciais estavam do outro lado do oceano, e eu estava suspensa entre o deslumbramento e o estranhamento pelas novas paisagens urbanas que se teciam na minha frente. Tinha uma uma necessidade muito grande de achar alguma coisa minha naquele espaço que me era estranho, de me apropriar daquilo que eu não entendia, mastigar o ininteligível e cuspir traduzido: achar detalhes que criassem significados para aquele universo expandido que eu tentava habitar. Durante este período de transição, todos os espaços -  a cidade que nasci, a cidade que morei, as cidades que visitei -  me pareciam ao mesmo tempo íntimos e estranhos. As fotografias da série Unknown Tales foram uma maneira de me apropriar da lógica das cidades aonde eu transitei, tecendo uma teia de significado por entre os túneis e as pontes e as montanhas de carros de cada espaço temporário que eu tinha que habitar. 
 
As fotos da série 20 Homenagens às Árvores e Cactos da Costa foram realizadas três anos anos depois, durante uma viagem que durou vinte dias. Ficamos em uma casa um tanto afastada do centro de Isla Negra, sem internet nem televisão, cercados por todos os lados por um grande jardim de cactos. A rotina era basicamente acordar cedo e ficar no jardim, cercada por estes cactos, até o anoitecer. Tudo na paisagem era muito deslumbrante: o pasto verde-escuro pontilhado com florzinhas amarelas, a vegetação baixa, amarelada e desértica até onde a vista alcança, as formações rochosas escuras e áridas na praia, os montes gigantes de pedras multicoloridas...  O Pacífico em si também é muito impressionante: selvagem, gelado, agressivo, vivo. Fiquei com a impressão que toda a natureza do Chile é muito jurássica: tudo é pedra, cordilheira, espinho, onda gigante, gelo, terremoto. Me deu a sensação de estar em um outro tempo do mundo, aonde as coisas tinham uma outra escala, muito mais grandiosa. Porém, rapidamente percebi que é muito difícil registrar esta escala grandiosa. Ao contrario das cidades, me pareceu que as paisagens não se deixavam reduzir facilmente, como se elas se recusassem a serem encolhidas em uma fotografia. Então, eu fui para o micro. O que me impressionou é que todas as formações tinham muitos detalhes. Cada cacto tem, em si mesmo, uma variedade absurda de texturas, vincos, dobras, que espantosamente se repetem na paisagem. É quase como se cada cacto e cada pedra e cada árvore fossem uma versão em miniatura da paisagem grandiosa que a rodeia.
 
PhD: Conta para a gente como é um dia na vida de Lídia Ganhito.
LG: Eu tenho a mania de fazer várias coisas ao mesmo tempo e também em paralelo. Estou sempre envolvida em muitos projetos, participando de aulas, residências, vivências e procurando espaços e oportunidades para desenvolver novas linguagens. Por exemplo, esta semana estou participando de três cursos: Identidade Visual na Belas Artes, Body Mind Movement no Centro de Referência em Dança e um sobre a Simone de Beauvoir no Centro de Pesquisa do SESC. Além disso, estou trabalhando na direção de arte de uma peça de teatro chamada A Demência dos Touros, que estreia semana que vem, no desenvolvimento da identidade visual para um documentário, editando um programa de culinária para Youtube e escrevendo um projeto de laboratório audiovisual. Isso tudo para dizer que é muito difícil pegar um dia e tomar de exemplo, por que todo dias eu faço um grande malabarismo para encaixar as mil pecinhas do meu quebra-cabeça.
Algumas pequenas rotinas que eu repito todos os dias: acordar junto com meu gato, o Nicanor; passar um café; enfiar o fone na orelha e aí sentar no computador para trabalhar, ouvindo música eletrônica. Nem sei se são exatamente as músicas favoritas, mas acho modulação especifica, repetitiva, funciona quase como um mantra e ajuda a evitar a dispersão. São essas aqui, ó: https://soundcloud.com/carmenlidhia
 
PhD: Quem são suas principais referências na arte? E na vida?
Alguns nomes, não necessariamente em ordem de importância:
Leonilson
Louise de Bourgeouis
PhD: Quem é Lídia Ganhito? O que come? Como vive? Como se reproduz? Respira o quê?
  • Ilustrações-poesia de Leonilson e Louise de Bourgeois

 

Francesca Woodman

Cindy Sherman

  • Os auto retratos de Francesca Woodman e Cindy Sherman

Tarkovski Polaroids

Wim Wenders

  • As polaroids do Tarkovsky e as fotos de Win Wenders

David Bowie

  • Toda a estética do David Bowie

Sophie Calle

Nan Goldin

  • O universo íntimo da Sophie Calle e da Nan Goldin

Guerilla Girls

  • As ações das Guerrilla Girls

Jacques Ranciere

  • As propostas do Jacques Rancière

Jack Kerouac

  • Literatura Beatnik e do realismo fantástico

 

PhD: Manda pra gente uma foto da sua mesa de trabalho, pls?
Mesa de trabalho de Lídia Ganhito
PhD: E uma foto da vista da janela do seu atelier/estúdio, pls?
Janela - Vista do Atelier de Lídia Ganhito
PhD: E uma selfie com a sua foto preferida? (de sua autoria!)
Selfie de Lidia Ganhito com sua foto preferida
PhD: Indica pra gente 2 artistas que você gostaria de ver aqui na PhD. 
Anita Lisboa e Beatriz Leite
Conheça a segunda parte da série "20 Homenagens às Árvores e Cactos da Costa" de Lídia Ganhito na sua página aqui na PhD Galeria.

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